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16 dezembro 2010

2011

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Li e reli a mensagem umas 5 vezes, sem parar.
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Li com a televisão ligada, Felipe jogando videogame, a tia reclamando do calor do Guarujá, a mãe fazendo palavras cruzadas, o turista do Japão mexendo nos brinquedinhos tecnológicos, um helicóptero resgatando alguém no mar.
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Dá para ver daqui do sofá a agonia do cara se afogando, precisando respirar, aquela multidão tirando o ar dele, roubando aquilo que é o mais caro para a vida dos outros; uma nova década começando, e repetindo, e repetindo, aquilo que nunca acaba; e a primeira coisa que eu vejo depois dos fogos é uma barata fugindo dos pés de outros.
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O bicho tentando sobreviver. Fogos nos céus. Lancei rosas para Iemanjá e nem sei quem ela é. Pedi coisas e mais coisas para essa mulher. Pedi para meus amigos, minha família, meu filho. Pedi para mim. Agradeci o básico, nada mais do que isso porque sou egoísta, tenho inveja da felicidade alheia e extrema. Ainda acredito na honestidade humana.
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Não subestimo ninguém. É muito simples achar que não dão conta. A gente não aguenta perceber para que a gente vem para esse mundo. A gente não aguenta.
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Bom 2010 para vocês. "Bom" porque se for ótimo, a gente não aguenta.
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Nina.

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Isso foi uma troca de emails entre amigos no reveillon de 2010.
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Espero sinceramente que 2011 seja diferente.
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imagem: Rosso Astratto, F. Cusumano.
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15 outubro 2010

fotografia

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nada no mundo, absolutamente nada, tem a graça do seu sorriso
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imagem: L'attesa, Gustav Klimt
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01 outubro 2010

planejamento do mês

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5 necessidades:
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- respirar as ondas de algum oceano ao menos uma vez a cada 2 meses
- ouvir outras línguas
- escrever o português corretamente
- assistir ou ler uma narrativa que surpreenda
- exterminar marias-fedidas, baratas, pernilongos, vespas e afins
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 5 metas:
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- limpar gavetas
- ser mais exigente
- ser menos criteriosa
- aceitar, na medida do possível, as pessoas rasas e burras
- indefinido
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imagem: Tortuga, 1901 / Juan Miro
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29 setembro 2010

circo e política aos 7 anos

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- mãe, eu não sabia que tinha tanto kibe no Brasil.
- kibe?
- o careca tá falando de 10% do kibe do Brasil.
- não é kibe filho... é PIB.
- o que é píbi?
- produto interno bruto.
- ah tá.... isso dá prá comer?
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- essa Dilma é muito burra!
- por que você acha isso, filho?
- já acabou o tempo dela e ela continua falando.... o homem já disse que o tempo tá esgotado!
- será que ela é burra ou surda?
- as duas coisas... e ela é feia também.
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*- quantos anos o Lula tem, mãe?
- ih não sei...
- ele deve ser muito velho.... todo mundo fala que ele tem que sair porque já ficou muito tempo....
- acho que ele tem a idade da Bá.... deve ser uns 65, 66 anos.
- não é tão velho assim.... o Di(tchan) podia ser o presidente do Brasil, né mãe?
- você votaria nele?
- eu não posso votar ainda porque eu sou criança.
- mas se pudesse votar, votaria nele?
- claro que não né!.... quando eu ficar adulto o Di vai estar mega velhinho... e aí ele vai ter que sair.... de onde é que os presidentes tem que sair, mãe?
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- mãe, por que você não vota no Ben10?
- será que ele vai fazer alguma coisa boa pro Brasil?
- acho que não.... então você podia votar na voz dele, porque é a voz dele que fala que vai salvar o mundo.
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11 setembro 2010

imaginário infinito

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Um pescador resgatou uma gaivota que estava com a asa quebrada e encaminhou para uma equipe de biólogos no Guarujá. Ela teve a asa amputada, e depois de recuperada, foi devolvida para o seu bando na praia. Sem o impulso equilibrado de asas iguais, ela não conseguia mais pescar. Seus vôos não passavam de dois palmos do chão.
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Retiraram-na do bando e a levaram para o aquário da cidade.
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Depois de um período de quarentena, ela foi preparada para se adaptar às outras aves, no caso, os pingüins. Semelhantes à gaivota de asa amputada, os pingüins também não conseguem voar. A gaivota, junto com os pingüins de duas asas perfeitas, recebem sardinhas frescas na boca.*
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Ela já mora no aquário há alguns anos. Toda branca, é a atração bizarra no meio das penas pretas dos companheiros de passos curtos. Com uma placa ao lado do visor, explicando a história da asa amputada, todos querem tirar foto dela - no meio dos amigos, é claro.
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Entre ser morta, morrer de fome, ou virar bicho de estimação, não sabemos qual seria a melhor saída.

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Hoje ela recebe alimento balanceado, não é rejeitada por outros, tem água limpa à disposição, atendimento veterinário 24 horas. É vista como vitoriosa entre os humanos. A maior dificuldade dela foi a adaptação à temperatura. Do calor da praia para o gelado polar.

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(E talvez a lembrança de dias de sol e dias de chuva, em horizontes flutuantes de 360 graus.)

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Se ela está viva? Sim, recebe um zelo especial dos tratadores.
Quando ficar velha, doente, cansada, prestes a morrer, vai ser socorrida novamente, de volta à vida, tantas vezes quantas forem necessárias.
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Se ela preferia outro fim?
Talvez. 
Não sabemos.
Improvavél. Quem está vivo não quer outra coisa.
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Talvez, gaivota.
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imagem: Martha Rhoades-Spivey

http://www.mrsphotography.com/blog/wp-content/uploads/2010/08/_mrs0123-11.jpg
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05 setembro 2010

humanidade

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Eu sou da casa 102. A Lourdes é da casa 56. A Vera, da casa 73. Hoje é o primeiro dia do feriadão de 7 de setembro. Nossa rua que já é uma travessa muito tranquila, está prá lá de sossegada.
Consersávamos sobre as mudanças no bairro, sobre a torre que vai subir às nossas costas, sobre o artista bonitão que mora na casa em frente, sobre a inquilina barulhenta que se mudou. Um papo de vizinhas sob sol intenso, próximo ao meio dia. São Paulo está cruelmente seca, rogando por chuva.
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De carro, a moradora da casa branca passa acenando. Ela vai para um casamento. Na calçada de cima, vejo o Casé, meu colega de faculdade, passeando com a filha. A conversa entre nós três segue sem preocupação.
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- A gente podia fazer uma reunião para ver se contrata um guardinha prá rua, né?
- Esse assunto é complicado. Na teoria todo mundo é a favor, mas na hora que mexe no bolso, aí o pessoal dá prá trás.
- E tem que pensar na guarita.
- No banheiro da guarita.
- Na comida e no café do guardinha.
- Ou melhor, dos guardinhas, porque vai ter que ser dois turnos...
- Nina, que cara é essa?
- Nossa, acho que tem uma pessoa passando mal - murmurei apontando para a esquina.
- Ai meu Deus, o cara tá convulsionando!
- Liga pro Samu. Alguém tá com o celular aí?
- O meu tá em casa.
- O meu também.
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Foi aí que a Vera entrou correndo na casa dela, que era a mais perto de onde conversávamos e saiu com o i-phone - gente, que número é o Samu? Discava e andava em passos largos em direção da pessoa caída. Eu e Lourdes fomos atrás.
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Quando nos aproximamos, o homem ainda tinha espasmos. Caíra de uma forma que a blusa cobrira seu rosto. Era um morador de rua. Olhei para a Lourdes, sem saber como agir. Fiquei sem ação justamente porque era uma pessoa pobre, com pele, cabelos e roupas sujas que exalavam urina. O preconceito bloqueou a minha iniciativa em tentar ajudar uma pessoa.
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Enquanto eu mantinha uma distância de pouco mais de um metro do homem no chão, Vera agachou-se ao lado dele, pressionando o celular entre a orelha e o ombro na insistência de contatar um socorro: ei, o que aconteceu com você? Com cuidado, ela descobriu o rosto desacordado. Usando as duas mãos, suspendeu ligeiramente a cabeça dele, pendurada para fora da guia e tentou reanimá-lo.
- Vou buscar uma água - saiu correndo Lourdes para sua casa.
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E eu, o que poderia fazer? Aquela cena era muito para mim. A espuma branca escorrendo pela boca do homem, me fez concluir que era algo grave. Lembrei do João caído no chão do meu quarto. Dos longos minutos que fiquei esperando pelo socorro, sem saber que movimento fazer, que palavra dizer, que rumo tomar. O sentimento onipresente é a da impotência, da percepção pobre que você é uma pessoa limitada - ora pela falta de vivência, ora pelo preconceito.
- Eu vou pegar o carro e chamar os bombeiros - prontificou-se Lourdes.
- Gente, desculpe, mas eu não dou conta disso - e saí caminhando em direção a minha casa.
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Dentro de casa, lembro ter dado três ou quatro respiradas fortes. Não posso ser tão covarde a ponto de dar as costas para isso. Talvez eu não consiga fazer o que a Vera está fazendo por um desconhecido, mas fechar os olhos porque o homem é um mendigo?
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Peguei o celular, liguei para 190, depois para 192, falei para o Felipe que estava em casa: fica aqui só um pouco porque tem um homem passando mal e a mamãe vai esperar a ambulância chegar. Depois eu te explico tudo. Dei o recado e voltei para a esquina.
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Vera ainda carregava a cabeça do homem, pacientemente, como que lhe dissesse pelas mãos que ele seria socorrido. Minutos depois, Lourdes chegou com os bombeiros. Cancelamos os chamados do Samu e da polícia.
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- Vocês conhecem ele? - perguntou um dos três bombeiros.
- Não.
- Vocês viram como ele caiu?
- Não, a gente só viu depois que ele caiu.
- Ele bateu a cabeça?
- Não sabemos.
- Parece ser algo neurológico. Não tem cheiro de bebida.
- Aquele vigia disse que ele sempre anda por aqui e que ele não bebe.
- Bom, a gente vai tratar como se tivesse um trauma. Vamos erguer e vocês empurram a maca. No três, ok?... Um, dois, três.

Lourdes e eu ajudamos a colocá-lo na maca. Foi o que eu pude fazer.
- Vocês vão levar ele para onde? - preocupou-se Vera.
- Hospital da Lapa. É o mais perto.
- O mais perto não é o Panamericano? - indagou.
- O Panamericano não aceita resgate assim. O cara é indigente. Tem que ser hospital público.
- E depois, o que acontece com ele?
- Alguém da família tem que ir buscar.
- Mas acho que ele não tem família em condições...
- Isso já não é mais problema nosso. A assistente social do hospital é que vê essas coisas.
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Voltamos para nossas casas em silêncio. Por um instante, chorei de vergonha. Talvez, sem a disponibilidade delas, não teria ajudado o homem. Passei o resto do dia pensando em como somos rasos diante do preconceito. À noite, mandei uma mensagem para a Vera agradecendo pelo ato tão natural, nobre e óbvio dela.
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24 julho 2010

penitência

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Tem um sol para cada um aqui.
Foi assim que o caçula definiu o peso daquela manhã.
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23 julho 2010

sobre gases e deus

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quer saber?
hoje tá impossível.
no shopping, no carro, em casa.
será efeito do patê de ervas secas, ou resultado do antibiótico?
a noite já caiu faz tempo e as janelas continuam abertas.
só sei que o negócio tá feio.
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deus tem um botão on-off.
é o cúmulo do egoísmo, mas é assim que funciona.
a gente liga e desliga quando quer.
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01 julho 2010

o universo se faz

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Estou na casa da minha mãe. Hoje é quinta feira.
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11:43hs
Minha amiga Lú que mora na Alemanha está no Brasil. Não vejo a Lú faz uns 6 anos, quando fui ao casamento dela. A Dri me ligou para almoçarmos juntas, no restaurante da Silvinha, às 13 horas. Isso está agendado há 2 semanas.
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Hoje é o primeiro dia de férias do Fê. Minhas não, só do Felipe. Férias de 1 mês. Um mês inteiro.
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Lembro que na última sessão, minha psicóloga me questionou porque eu não faria uma viagem sozinha. Não é hoje, nem amanhã, seria um dia qualquer nesse ano. Sem geração abaixo, nem acima. Se eu tenho opinião sobre isso? Sozinha? Never.
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Fê foi convidado para um aniversário, das 14 às 18hs, na Casa Verde. O almoço com minhas amigas seria às 13hs. Até eu almoçar, pelo menos 14hs. Até ele chegar na festa, sendo muito otimista, 14:45hs.
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Só algumas crianças foram convidadas, não sei quem vai. Não quero dar gafe pedindo carona para alguém que não foi convidado.
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Tenho reunião no escritório 14:30hs.
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O que eu faço?
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11:49 hs
- O que vocês acham de pedir pro Ciro levar o Fê até a Casa Verde? Ele é de confiança.
- O Fê de táxi sozinho? Por que não pede para a Bá ir junto?
- É que aí tem que pagar a viagem da ida e da volta. Se for o Felipe sozinho, eu só pago a ida.... mas tem que ser com o Ciro.
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11:52 hs
Alô? Ciro? Então, você tá com horário disponível lá pela uma e meia da tarde? É prá Casa Verde. Não dá? Mesmo? Tem que ser você, porque é prá levar o Felipe. Ele vai sozinho. Ligar para quem? Quem? O Norato? Ele pode? Sei, sei quem é... mas é de confiança mesmo? Não sei, Ciro. Vou ver o que eu faço.
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Alô? Norato? O Ciro me passou o seu telefone. Então, eu preciso que você leve o meu filho até a Casa Verde. Ele tem que chegar lá umas 2 horas. O que? Você tá em Alphaville? Não dá tempo de chegar? Você não pode? Sério? Vai pedir para quem? Alguém lá do ponto? Tem que ser de confiança, viu? Olha, fala prá chegar aqui a uma hora. Uma hora, tá?
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Bom, pedi para o táxi vir mais cedo. Assim dá para eu ver a cara do motorista. Se ele realmente é do ponto. Eu chego um pouco atrasada no almoço. Não tem problema. Dependendo, mando a Bá ir junto e paciência. Preciso ver com a mãe do aniversariante se tudo bem do Felipe chegar meia hora antes.
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11:55 hs
Ana? Aqui é a mãe do Felipe. Tudo bem? Tem algum problema se ele chegar um pouco antes? Sabe o que é... ele vai sozinho de táxi. Então, dá prá receber ele aí? Vai avisar a portaria? Tá certo. Obrigada.
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Sei lá, tô insegura. Se fosse o Ciro, tudo bem. Mas não é ele.
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12:04 hs
Por que eu sentei para almoçar aqui na casa da minha mãe? Eu vou almoçar com as minhas amigas!
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Não consigo parar de pensar se isso vai dar certo ou não. Mandar o Felipe de táxi sozinho? Não tem segredo. Vai dar tudo certo. Não sei. É lá na Casa Verde, do outro lado do Playcenter. Não sinto confiança.
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12:08 hs
- Fê, é o seguinte. A mamãe tem um compromisso daqui a pouco e se você esperar eu voltar, prá depois te levar pro aniversário, vai ficar muito tarde. Então, você vai de táxi, tá?
- Tá bom.
- Sozinho.
- Sozinho?? A Bá não pode ir comigo?
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Aborta, aborta, aborta. Eu almoço rapidinho com a Lú e a Dri, volto e levo o Fê prá festa. E cancelo a reunião no escritório.
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12:15 hs
Como assim? Eu ir para Montevidéu? Sozinha? Não vai sair caro? Vou pensar.
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12:17 hs
Dri, sou eu. Vou me atrasar uns 10, 15 minutinhos. Podem ir entrando, ok?
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12:20 hs
Será que o Felipe vai saber pagar o táxi direitinho? Vai ter troco. Será que o taxista vai ser honesto? O Ciro deixaria eu pagar depois, mas não é ele. A Bá não vai junto? É melhor eu mesma levar. Já tinha decidido isso.
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Tô insegura. Vou deixar o meu celular com o Fê, qualquer coisa ele me liga. Ligar pra onde, se o celular vai ficar com ele? Pego o celular da Bá. Pego o número do taxista. A Bá vai com o Fê? Ele chega na metade da festa, mas eu levo. É mais fácil. E a minha reunião?
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12:36 hs
Alô? Pois não? Quer falar com quem? É ela mesma. Sil? Oi Sil! Tudo bem? No aniversário? O Fê foi convidado também. O Kim vai? Ah, é dia do seu rodízio? Se eu posso buscar? Claro que posso! E por acaso será que você pode levar o Fê? É que eu tô com uns horários encavalados e o Fê ia de táxi sozinho. Não sou louca não, o taxista é de confiança. Quer dizer, o de confiança não ia poder. Como você ficou sabendo que o Fê ia sozinho? Falou com a Ana? Não? Foi por acaso? Nossa Sil, você caiu do céu! Ai que alívio! Tá ótimo, passa a hora que der. Obrigada Sil, mesmo!
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12:40 hs
Norato? Olha, não precisa mandar ninguém que eu consegui uma carona. É isso mesmo. Desculpa desmarcar em cima da hora.
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Ana? O Felipe vai com o Kim. Melhor assim, né? Eu também acho. Fico mais tranquila. A Sil ligou e ela vai levar os dois. E eu busco.
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Dri? A Lú já chegou? Eu tô chegando. Não vou me atrasar não.
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13:03 hs
Quanto tempo Lú! Como você tá? Vamos entrar? A Dri tá segurando uma mesa pra gente. Esse restaurante é uma delícia!
(...)
Quando você volta prá Alemanha, Lú? Jaguariúna, Dri? Na casa do seu irmão? Quantos dias? Eu fico por aqui nas férias. Vou para Curitiba só no outro final de semana. Visitar uns amigos.
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E para Montevidéu em agosto. Sozinha, quem sabe.
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13:42 hs
Bá? A Sil já pegou o Felipe? Que bom.
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Ele foi todo feliz?
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Eu também.
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30 junho 2010

evolução

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- mãe, quando você era criança não existia celular?
- só tinha telefone normal
- não tinha videogame?
- o videogame só apareceu quando eu tinha uns 10 anos
- e nem existia cinema 3D, né?
- é... não tinha essas coisas não
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(silêncio)
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- mãe, que pena que na sua época não tinha muita coisa...
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29 junho 2010

além da copa do mundo

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Copa do Mundo 2010. Jogo das oitavas de final Brasil x Chile.
Hino do Brasil tocando. E minha mãe questionando:
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- Nossa, não conheço nenhum jogador! Todo mundo novo, né? Cadê o Ronaldo Dinamite?
- Quem, mãe? Dinamite? Aquele da turma do Vasco?
- O que tem os dentes separados... É o Roberto Fenômeno.
- Ronaldo Fenômeno, não é?
- Esse mesmo! O Roberto! Cadê ele?
- Não foi convocado.
- Que pena... eu gosto dele! Eu não gosto é do Maratona.
- O da Argentina? É Maradona, mãe.
- E porque será que o Harry Potter não faz a cirurgia de miopia, né?
- ???
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imagem: Cricket World Cup, 2011
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as coisas que deixaram de ser

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- Como foi a escola hoje Fê?
- Foi como sempre. Na hora do recreio eu joguei futebol com meus amigos. Foi maneiro.
- Porque foi maneiro?
- Eu tava com a bola e chutei muito forte pro gol. O Kim era o goleiro.
- E você fez um gol?
- Tava na cara do gol, mãe. Muito na cara. Só que aí o Dani passou na frente e bateu na bola. E aí, desaconteceu o gol, mãe! Você não ia acreditar! Desaconteceu o gol.
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27 junho 2010

interview

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Fomos tirar o visto americano no consulado - Felipe, minha mãe e eu. Como cidadã japonesa, minha mãe tem livre acesso na terra do Tio Sam. Sabendo da novela que foi tirar o passaporte do Felipe (eu tive que jurar de pé junto diante da bandeira, que eu não pretendia vender, dar ou largar um menor no país estrangeiro) e para dar um chute de vez na onda zicada que eu estava passando, fiz a cidadã privilegiada ir ao consulado tomar chá de cadeira também.
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No meio daquela multidão esperando a vez de ser mal tratada por um funcionário pseudo-gringo, minha mãe até que me foi bastante útil. Sei lá porque, ela recebeu uma senha especial, passamos na frente de uma pá de gente - o que significou ficar no consulado pouco mais de 2 horas. Pode ser considerado um record de rapidez.
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A hora da entrevista é crucial. A emissão do visto é autorizada pela pessoa que te atende por trás do vidro blindado. Você tenta ser o mais simpático possível, mas tudo é meio tenso, incerto, subjetivo, exagerado demais. Da parte deles, porque eles têm o poder - e da nossa parte, por nos sujeitarmos a passar por esse tipo de tratamento. Enfim, minha mãe estava instruída em como se portar diante da entrevista: ser cordial e responder só o que eles perguntassem.
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(entrevistador) - Hoje a senhora está aposentada, certo? Antes a senhora trabalhava em quê?
(mamãe) - Eu era professora de japonês. Trabalhei na ACBJ de Pinheiros desde quando Nina tinha 4 anos.... ou era Érica? Parei de trabalhar em 2008. É tão bom, né? Não preciso mais trabalhar de sábado, aí vamos para o Guarujá na sexta de noite. Aproveita mais, né? Eu ainda dou aula para Junji-kun, mas é em casa, de quarta feira.... e Morita-san também liga para casa e eu dou aula pelo telefone. Ficamos conversando sobre netinhos. O netinho de Morita-san é escoteiro do Copercotia, onde teve udon-kai...
(entrevistador) - Já entendi senhora. Bom, a casa que a senhora mora é própria ou alugada?
(mamãe) - Se eu tenho casa alugada? Tenho sim.... Aquela que fica na rua de baixo, alugamos para Ube-san. Mora Yen, Kathrin e Lelis durante a semana e fim-de-semana voltam para interior onde fica Samoko.
(entrevistador) - Mas a casa onde a senhora mora é própria, certo?
(mamãe) - É própria sim, mas não é minha. É do meu marido. A casa onde Nina mora é a minha casa própria. Mas eu não moro lá, porque a casa é da Nina.
(entrevistador) - Mas na casa que a senhora mora, a senhora paga aluguel?
(mamãe) - Eu não pago aluguel. Ube-san sim - ele passa à noite de carro e deixa dinheiro que fica em cima do piano.
(entrevistador) - Sei.... e a senhora já foi alguma vez para os Estados Unidos?
(mamãe) - Fui sim, quando ganhei bolsa de estudo da Japan Foundation para fazer curso no Japão.
(entrevistador) - Quantas vezes a senhora já foi para os Estados Unidos?
(mamãe) - Acho que essa vai ser a primeira vez, não é Nina??
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cicerone

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Estamos no Guarujá e percebi que cheguei na idade que não curte sol na cabeça nem praia cheia.
Sugeri levar o visitante made in Japan para o aquário - de Santos ou daqui mesmo. Expliquei que ele poderia ver algumas espécies amazônicas.
Ele respondeu educadamente que a maioria dos aquários no Japão tem peixes do mundo inteiro, principalmente os amazônicos. São o filé mignon dos aquários nipônicos.
Ok, já entendi a mensagem. Tem de tudo na sua terrinha.... Será possível que não haja algo diferente para te apresentar? Passar por uma experiência marcante no mundo tupiniquim? Algo que quando você visse na TV, pensasse "nossa, eu vivi isso naquela viagem!"
Decidido, vamos comprar cerveja no Carrefour lotado, sem ar condicionado, em pleno 31 de dezembro. Não custa nada tentar. Pode ser inesquecível.
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26 junho 2010

25 junho 2010

intervalo

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Depois de um poço de tempo e anotações de tamanhos variados, volto aqui para escrever. Dizer aos sete ventos que - honestamente - eu gosto do Michael Jackson. Porque agora ele está morto. Depois que essas pessoas importantes morrem, são produzidos mega documentários mostrando o quão genial era aquele ser. Assisti This is It e cheguei à conclusão que eu curto MJ. Só fui perceber agora.
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17 outubro 2009

profissão leitor


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Felipe está descobrindo o universo fascinante da leitura. Ter a autonomia para decodificar uma palavra, repeti-la e compreender o contexto de uma frase. Isso me soa complexo demais para uma criança de 6 anos, mas todos nós começamos assim, não? Mesmo gaguejando, sem saber identificar as proparoxítonas em entonações que causam estranheza, a curiosidade do “ler e entender” deixa o erro de lado.
Um mundo se abre no ano da alfabetização.
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- mãe, o que é cupece?
- é o nome de uma avenida
- aquele “av” é avenida?
- é sim.... é uma forma mais simples para escrever avenida
- como o “v” de vila madalena?
- isso mesmo
- mas lá tava escrito v. mariana
- porque é um outro bairro
- o que é uma avenida?
- as ruas largas são chamadas avenidas
- não são as estradas?
- estradas são....
- ven-de-se ess-sse e-di- e-di-fi-ci-o.... vende-se esse edifício... tão vendendo esse prédio!
- muito bem filho!
- lo-tê-ri-ca sôr-te.... lotêrica sorte.... lotêrica?
- nossa, você tá lendo tudo!
- eu sou um leretrista?
- leretrista? o que é isso?
- é quem lê tudo que tá escrito ué!!!
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*

imagem: crie sua própria placa de rua
http://marmota.org/placasp/
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16 outubro 2009

foco

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não tente lapidar a minha raiva
eu gosto dela bruta
faz-me olhar para frente
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29 setembro 2009

desgarrada

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* *

"estou des-existindo do orkut"
isso poderia ser post do twitter
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imagem: sky blue sky, wilco
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24 setembro 2009

f-a-d-a-n-d-o

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FADAR
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verbo transitivo
1. Predestinar
2. Derterminar a sorte de
3. Dotar
4. Vaticinar
5. Prognosticar
6. Auspiciar

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Será que a minha vida é fadada a mudanças bruscas?
*
Existe diferença entre fadar e foder?
*
*

imagem: o shit box está a venda na firebox.com
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