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27 junho 2010

cicerone

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Estamos no Guarujá e percebi que cheguei na idade que não curte sol na cabeça nem praia cheia.
Sugeri levar o visitante made in Japan para o aquário - de Santos ou daqui mesmo. Expliquei que ele poderia ver algumas espécies amazônicas.
Ele respondeu educadamente que a maioria dos aquários no Japão tem peixes do mundo inteiro, principalmente os amazônicos. São o filé mignon dos aquários nipônicos.
Ok, já entendi a mensagem. Tem de tudo na sua terrinha.... Será possível que não haja algo diferente para te apresentar? Passar por uma experiência marcante no mundo tupiniquim? Algo que quando você visse na TV, pensasse "nossa, eu vivi isso naquela viagem!"
Decidido, vamos comprar cerveja no Carrefour lotado, sem ar condicionado, em pleno 31 de dezembro. Não custa nada tentar. Pode ser inesquecível.
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08 setembro 2009

palavras cruzadas

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- como era mesmo o nome do gandgista mais famoso?
- nome do quê?
- Al Catino? Al Corone? Al Capito?
- Al Capone, mãe....
- Al Capone!!!... cabe direitinho filha!.... Al Capone é com “L”??
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06 janeiro 2009

vera, geraldo e mamãe

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Podem falar o que quiser do Guarujá, mas eu adoro aquele lugar. Do apê dá para ver o mar. Digo, se a gente fechar os olhos, dá para imaginar o mar, porque o barulho das ondas encosta bem pertinho dos terraços.
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Guarujá me lembra RPM no clube Orla, miojo empapado, aniversário no Rufino’s, balada no calçadão, mímica de filmes, apart-hotel em Astúrias, pneu furado em Pernambuco, piriri em Sorocotuba, cobertura privê na Enseada, Iporanga de mochila e alpargata, caldeirada no Joca’s, tatuagem número dois, festa de arromba na Península.
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Mudou muita coisa naquela cidade. Hoje tem até Sofitel (que eu conheço como a palma da mão.... blargh...). Minha fase de muvuca se foi e quando eu desço para o Guarú, levo mãe e filho. Invariavelmente. Três gerações cabem naquela cidade. Tem espaço para nós. Em especial naquele trecho de praia da barraca da Vera.
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A Vera cuida da gente. Mima o Felipe, sempre tem pirulito. Ele adora o picolé fininho de chocolate e a lula com cebola. No primeiro verão depois da morte do João, a Vera me deu uma árvore de turmalinas – para me trazer bons ventos. Naquela vez, ela enxugou meu rosto. Ela prepara o churrasco no pão francês do jeito que a minha mãe gosta. Quando mamãe se perde na multidão de guarda sóis vermelho-itaipavas, a Vera aparece e a traz de volta segurando carinhosamente pelo braço.
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- Dona K., a senhora esqueceu o que eu falei ontem? Quando a senhora se perder, é só procurar a barraca da Vera!
- É que fui andar um pouco... lá na San Pauro, eu ando todos os dias com meu marido e com cachorros...
- Lembra que eu falei que ficava perto do carrinho de milho do Geraldo? Se for andar na beirinha do mar, fica mais fácil achar o Geraldo. Se for pelo calçadão, procura a minha barraca. Olha, o Geraldo é aquele ali ó, tá bem?

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A Vera é muito atenciosa. Naquele dia, minha mãe foi andar pela beira do mar – e foi a Vera que a trouxe de volta.
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- Puxa mãe! Andou quase até o (hotel) Casa Grande? Não achou o carrinho do Geraldo?
- Sabe Nina, esse Geraldo é muito rico! Todos os carrinhos são dele! Daqui até o Casa Grande!
- Como assim mãe?
- Olha lá Nina! Lê o nome lá
– e ela apontou em direção a um carrinho de milho.
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Estava escrito: Milho Verde e Coco Gelado
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É por isso que eu gosto do Guarujá. Na saída da praia a gente se despede do Geraldo, da Vera e do dia que desliza para trás da serra.
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