28 janeiro 2009

vivir solo

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- você não mora sozinha, Nina
- moro sim
- porque você diz isso?
- a minha casa é do meu jeito, a sala, a cozinha, todo espaço é meu
- você não mora sozinha....
- meus horários sou eu que defino...
- mas e o Felipe? E o espaço que ele ocupa na casa?
- isso é o de menos
- duvido que a sala da sua casa seja do jeito que você quer, sem brinquedo nenhum
- tá...
- duvido que os horários sejam os seus e não os do Felipe
- tudo bem... onde você quer chegar?
- você não mora sozinha, Nina
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Felipe passou a semana na praia, com os primos. Eu em São Paulo, ele em Peruíbe. A semana foi atípica, cinco lugares vagos nos sofás da sala, o copo dos Rangers guardado no armário, passeio no Villa Lobos sem entrar na Ri Happy.
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Fernando, você tem toda a razão. Eu não moro sozinha.
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imagem: Living Alone,
www.newspagedesigner.com
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19 janeiro 2009

segura, peão!

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- mãe, você quer brincar de cowboy?
- como é essa brincadeira?
- os ninjas são os vilões
- ninjas?
- é mãe! os cowboys tem armas e os ninjas tem espadas...
- tá bom...
- que cor você quer ser?
- como assim? tipo power ranger vermelho?
- não, mãe... não é power ranger! é brincadeira de cowboy!... que cor mãe!
- ué... que cores que tem?
- azul, roxo, amarelo, preto, verde, todas essas
- tem lilás?
- lilás não é cor mãe!
- claro que é Fê!
- não existe cowboy lilás
- é... pensando bem...
- só os ninjas podem ser lilás
- podem?
- se eles tiverem a mochila a jato, podem!
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ninja?.... lilás?.... e com mochila a jato???.... tô fora...
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Imagem: WhiteNinja Comics
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15 janeiro 2009

summer time

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Ao mesmo tempo em que aprendi a apreciar a estacao e suas particularidades, cancoes do passado ganharam novas cores e significados, mais completas e mais intensas e enquanto lia
seu blog me veio a memoria "Indian Summer", uma cancao do segundo album do Dream Academy (...)
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Bom... hora de seguir em frente.
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Grande beijo e um grande ano para voce e o Felipe.
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a.

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Sensacional viver nessa época da história. Alguém, do outro lado do mundo, te tira da inércia. É um bom sinal para o começo do ano. Thanks.
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Cheers 2009!
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para escutar Indian Summer, clique aqui
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06 janeiro 2009

vera, geraldo e mamãe

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Podem falar o que quiser do Guarujá, mas eu adoro aquele lugar. Do apê dá para ver o mar. Digo, se a gente fechar os olhos, dá para imaginar o mar, porque o barulho das ondas encosta bem pertinho dos terraços.
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Guarujá me lembra RPM no clube Orla, miojo empapado, aniversário no Rufino’s, balada no calçadão, mímica de filmes, apart-hotel em Astúrias, pneu furado em Pernambuco, piriri em Sorocotuba, cobertura privê na Enseada, Iporanga de mochila e alpargata, caldeirada no Joca’s, tatuagem número dois, festa de arromba na Península.
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Mudou muita coisa naquela cidade. Hoje tem até Sofitel (que eu conheço como a palma da mão.... blargh...). Minha fase de muvuca se foi e quando eu desço para o Guarú, levo mãe e filho. Invariavelmente. Três gerações cabem naquela cidade. Tem espaço para nós. Em especial naquele trecho de praia da barraca da Vera.
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A Vera cuida da gente. Mima o Felipe, sempre tem pirulito. Ele adora o picolé fininho de chocolate e a lula com cebola. No primeiro verão depois da morte do João, a Vera me deu uma árvore de turmalinas – para me trazer bons ventos. Naquela vez, ela enxugou meu rosto. Ela prepara o churrasco no pão francês do jeito que a minha mãe gosta. Quando mamãe se perde na multidão de guarda sóis vermelho-itaipavas, a Vera aparece e a traz de volta segurando carinhosamente pelo braço.
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- Dona K., a senhora esqueceu o que eu falei ontem? Quando a senhora se perder, é só procurar a barraca da Vera!
- É que fui andar um pouco... lá na San Pauro, eu ando todos os dias com meu marido e com cachorros...
- Lembra que eu falei que ficava perto do carrinho de milho do Geraldo? Se for andar na beirinha do mar, fica mais fácil achar o Geraldo. Se for pelo calçadão, procura a minha barraca. Olha, o Geraldo é aquele ali ó, tá bem?

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A Vera é muito atenciosa. Naquele dia, minha mãe foi andar pela beira do mar – e foi a Vera que a trouxe de volta.
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- Puxa mãe! Andou quase até o (hotel) Casa Grande? Não achou o carrinho do Geraldo?
- Sabe Nina, esse Geraldo é muito rico! Todos os carrinhos são dele! Daqui até o Casa Grande!
- Como assim mãe?
- Olha lá Nina! Lê o nome lá
– e ela apontou em direção a um carrinho de milho.
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Estava escrito: Milho Verde e Coco Gelado
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É por isso que eu gosto do Guarujá. Na saída da praia a gente se despede do Geraldo, da Vera e do dia que desliza para trás da serra.
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05 janeiro 2009

dim-gou-béu

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Was a long and dark December. A faixa sete começa assim.
Não foi por acaso que eu ganhei o cd dele.
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Eu também sou partidária que dezembro é um mês indigesto.
Nunca imaginei que um dia fosse pensar assim.

É triste porque isso atesta que as coisas mudam.
Ao mesmo tempo, é um alívio saber que as coisas podem mudar.
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Violet Hill - Viva la Vida / Coldplay
imagem: Namibia, Tom Walker

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17 novembro 2008

amor de dois

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Não nascemos da mesma mãe, não nascemos do mesmo pai, nascemos do mesmo livro. Deus devia estar lendo a mesma página quando nos imaginou.
Você é a página da esquerda e eu sou da direita. Você me antecede. Só faço sentido depois de sua leitura.
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Carta para Mana Amada, de Fabrício Carpinejar
blog Fim da Linha
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O início da carta do Carpinejar é lindo. O final também – e triste. Para minha irmã Érica, que fez anos dia 15, fico somente com esses dois parágrafos.
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imagem: A Thousand and One Nights, 3 parts - de Henri Matisse

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sucesso

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gosto muito dele como professor
gosto muito dele como amigo
gosto muito dele como escritor
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Desconforto sendo lançado hoje na Livraria da Vila
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sucesso, Fernando

eu te vejo lá
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13 novembro 2008

rain rain rain

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Chorei feito uma porca na sala da médica. Dentro do carro. No banheiro da cafeteria.

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O que você sente quando fala da morte do seu marido?

Que pergunta mais idiota, meu deus, que coisa mais idiota. Olhe para mim, nos meus olhos, e faça a pergunta de novo. Por favor.
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12 novembro 2008

vai levando

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mesmo com toda a fama, com toda a brahma
com toda a cama, com toda a lama
a gente vai levando, a gente vai levando
a gente vai levando, a gente vai levando essa chama
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mesmo com todo o emblema, todo o problema
todo o sistema, todo Ipanema
a gente vai levando, a gente vai levando
a gente vai levando, a gente vai levando essa gema
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mesmo com o nada feito, com a sala escura
com um nó no peito, com a cara dura
não tem mais jeito
a gente não tem cura
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mesmo com o todavia, com todo dia
com todo ia, todo não ia
a gente vai levando, a gente vai levando
a gente vai levando, a gente vai levando essa guia
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mesmo com todo rock, com todo pop
com todo estoque, com todo Ibope
a gente vai levando, a gente vai levando
a gente vai levando, a gente vai levando esse toque
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mesmo com toda sanha, toda façanha
toda picanha, toda campanha
a gente vai levando, a gente vai levando
a gente vai levando, a gente vai levando essa manha
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mesmo com toda estima, com toda esgrima
com todo clima, com tudo em cima
a gente vai levando, a gente vai levando
a gente vai levando, a gente vai levando essa rima
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mesmo com toda cédula, com toda célula
com toda súmula, com toda sílaba
a gente vai levando, a gente vai tocando
a gente vai tomando, a gente vai dourando essa pílula
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música: Chico Buarque e Caetano Veloso
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imagem: primavera em casa

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11 novembro 2008

nothing to think

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Resolvi ir ao supermercado andando. Meu lado madame cruela chicoteando as costas. Anda escrava, justo hoje que é o rodízio do carro, a nêga compra 5 quilos de arroz e volta carregando na cabeça. Sofre mula. Eu não pago penitência fazendo flexões. Eu pago minha burrice carregando sacolas de supermercado. E com garoa no rosto.
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O farol, graças a Deus, estava vermelho para os pedestres. Daria para colocar as sacolas no chão e descansar os braços. Olhei para a lâmina d’água cinza chumbo na guia e preferi agüentar o peso por só mais alguns (intermináveis) quarteirões. Ô catzo de farol que não muda nunca.
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Enquanto atravessava a avenida pensei seriamente em comprar uma bicicleta. Muito mais prático. Penduraria as sacolas no guidão, igual lá no nordeste, e sairia pedalando na boa. Simples assim. Tão simples quanto o japa que foi no churrasco do Caco de bicicleta. Lá na Av. do Sol, uns 75 km desse chão aqui. A mulher e os dois filhos foram na garupa. Impressionante.
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Tenho inveja desse povo esportista. O japa da bike causou frenesi quando entrou na piscina. Delícia de festa quando tem piscina, não? O sol ajudou. Era a festa de 4 anos do Caco, com rango da hora e muito, muito japa.
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No meio do churras, um mini japa chorava porque tinha se perdido do pai. Como é o nome do seu pai? O menino olhava para mim e voltava a soluçar. Ele se recusou a me ajudar. Daí, eu pensei no óbvio: todos os homens japoneses se chamam Eduardo, Jorge ou Paulo. Eu teria 30% de chance de acertar em cada tentativa. Os outros 10% de japoneses se dividem em Mário ou Edson. Isso é regra. Não existe japa chamado Acácio, Silvio, Bruno ou Frederico.
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Pronto. Cheguei no portão branco da minha casa. Com caraminholas na mente, o caminho encurta e as sacolas molhadas ficam mais leves.
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imagem: japanese road sign, wikipedia
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