05 setembro 2010

sobre homens e figurinhas

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Desabafo do Felipe:
- Eu tenho tanta raiva do Sneijder que eu quero rasgar ele..... posso fazer um bigode nele?

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A Copa acabou dia 11 de julho. Depois de mais de um mês, Felipe achou uma figurinha no bolso da calça da escola. Uma calça que foi lavada, secada e passada, no mínimo, umas 15 vezes.
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- Mãe, por que não dá para rasgar essa figurinha brilhante da Espanha?
(...)
- Já sei mãe. Deve ser porque a Espanha foi campeã e por isso a figurinha ficou poderosa. Ou deve ser porque lavou e secou tantas vezes que ela ficou durinha e poderosa. Ou deve ser porque eu encostei o dedo no pastel e deixou o meu dedo escorregadio.
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humanidade

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Eu sou da casa 102. A Lourdes é da casa 56. A Vera, da casa 73. Hoje é o primeiro dia do feriadão de 7 de setembro. Nossa rua que já é uma travessa muito tranquila, está prá lá de sossegada.
Consersávamos sobre as mudanças no bairro, sobre a torre que vai subir às nossas costas, sobre o artista bonitão que mora na casa em frente, sobre a inquilina barulhenta que se mudou. Um papo de vizinhas sob sol intenso, próximo ao meio dia. São Paulo está cruelmente seca, rogando por chuva.
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De carro, a moradora da casa branca passa acenando. Ela vai para um casamento. Na calçada de cima, vejo o Casé, meu colega de faculdade, passeando com a filha. A conversa entre nós três segue sem preocupação.
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- A gente podia fazer uma reunião para ver se contrata um guardinha prá rua, né?
- Esse assunto é complicado. Na teoria todo mundo é a favor, mas na hora que mexe no bolso, aí o pessoal dá prá trás.
- E tem que pensar na guarita.
- No banheiro da guarita.
- Na comida e no café do guardinha.
- Ou melhor, dos guardinhas, porque vai ter que ser dois turnos...
- Nina, que cara é essa?
- Nossa, acho que tem uma pessoa passando mal - murmurei apontando para a esquina.
- Ai meu Deus, o cara tá convulsionando!
- Liga pro Samu. Alguém tá com o celular aí?
- O meu tá em casa.
- O meu também.
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Foi aí que a Vera entrou correndo na casa dela, que era a mais perto de onde conversávamos e saiu com o i-phone - gente, que número é o Samu? Discava e andava em passos largos em direção da pessoa caída. Eu e Lourdes fomos atrás.
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Quando nos aproximamos, o homem ainda tinha espasmos. Caíra de uma forma que a blusa cobrira seu rosto. Era um morador de rua. Olhei para a Lourdes, sem saber como agir. Fiquei sem ação justamente porque era uma pessoa pobre, com pele, cabelos e roupas sujas que exalavam urina. O preconceito bloqueou a minha iniciativa em tentar ajudar uma pessoa.
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Enquanto eu mantinha uma distância de pouco mais de um metro do homem no chão, Vera agachou-se ao lado dele, pressionando o celular entre a orelha e o ombro na insistência de contatar um socorro: ei, o que aconteceu com você? Com cuidado, ela descobriu o rosto desacordado. Usando as duas mãos, suspendeu ligeiramente a cabeça dele, pendurada para fora da guia e tentou reanimá-lo.
- Vou buscar uma água - saiu correndo Lourdes para sua casa.
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E eu, o que poderia fazer? Aquela cena era muito para mim. A espuma branca escorrendo pela boca do homem, me fez concluir que era algo grave. Lembrei do João caído no chão do meu quarto. Dos longos minutos que fiquei esperando pelo socorro, sem saber que movimento fazer, que palavra dizer, que rumo tomar. O sentimento onipresente é a da impotência, da percepção pobre que você é uma pessoa limitada - ora pela falta de vivência, ora pelo preconceito.
- Eu vou pegar o carro e chamar os bombeiros - prontificou-se Lourdes.
- Gente, desculpe, mas eu não dou conta disso - e saí caminhando em direção a minha casa.
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Dentro de casa, lembro ter dado três ou quatro respiradas fortes. Não posso ser tão covarde a ponto de dar as costas para isso. Talvez eu não consiga fazer o que a Vera está fazendo por um desconhecido, mas fechar os olhos porque o homem é um mendigo?
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Peguei o celular, liguei para 190, depois para 192, falei para o Felipe que estava em casa: fica aqui só um pouco porque tem um homem passando mal e a mamãe vai esperar a ambulância chegar. Depois eu te explico tudo. Dei o recado e voltei para a esquina.
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Vera ainda carregava a cabeça do homem, pacientemente, como que lhe dissesse pelas mãos que ele seria socorrido. Minutos depois, Lourdes chegou com os bombeiros. Cancelamos os chamados do Samu e da polícia.
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- Vocês conhecem ele? - perguntou um dos três bombeiros.
- Não.
- Vocês viram como ele caiu?
- Não, a gente só viu depois que ele caiu.
- Ele bateu a cabeça?
- Não sabemos.
- Parece ser algo neurológico. Não tem cheiro de bebida.
- Aquele vigia disse que ele sempre anda por aqui e que ele não bebe.
- Bom, a gente vai tratar como se tivesse um trauma. Vamos erguer e vocês empurram a maca. No três, ok?... Um, dois, três.

Lourdes e eu ajudamos a colocá-lo na maca. Foi o que eu pude fazer.
- Vocês vão levar ele para onde? - preocupou-se Vera.
- Hospital da Lapa. É o mais perto.
- O mais perto não é o Panamericano? - indagou.
- O Panamericano não aceita resgate assim. O cara é indigente. Tem que ser hospital público.
- E depois, o que acontece com ele?
- Alguém da família tem que ir buscar.
- Mas acho que ele não tem família em condições...
- Isso já não é mais problema nosso. A assistente social do hospital é que vê essas coisas.
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Voltamos para nossas casas em silêncio. Por um instante, chorei de vergonha. Talvez, sem a disponibilidade delas, não teria ajudado o homem. Passei o resto do dia pensando em como somos rasos diante do preconceito. À noite, mandei uma mensagem para a Vera agradecendo pelo ato tão natural, nobre e óbvio dela.
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31 agosto 2010

uma pausa na felicidade

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em casa, uma vela está acesa
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25 agosto 2010

montevideo

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Fui para terapia e contei tudo o que aconteceu em Montevideo. Ao fim da sessão, minha psicóloga concluiu: Nina, foi uma viagem libertadora, não foi?
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Com os dedos entrelaçados sobre a barriga, concordei com a cabeça, emocionada e feliz.
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Fomos em quatro viajantes. Cada um teve uma impressão diferente da cidade.
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Apesar da sujeira nas ruas, da vida pacata, do povo empobrecido, da arquitetura sem restauro, do menino tentando roubar o Marcos, para mim, o saldo das lembranças ainda é muito positivo.
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Positivo porque fui na companhia de meus melhores amigos, provei (por duas vezes) a parrilla uruguaia, bebi a uvita, filei um gole de Patrícia, ouvi boa música, segui pela Avenida 18 de Julho sem ter hora para voltar, descansei as pernas em um banco na Rambla de Pocitos.
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Trago de lá a imagem de braços maternando garrafas térmicas, o Rio del Plata cercando o asfalto, plátanos em linha preparando-se para a próxima estação, a reverência do povo perante à Celeste seleção, o duelo amigo do Baar Fun Fun versus La Ronda.
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Em quatro dias de viagem, Montevideo surgiu em pouco mais de 5 horas - não mais que isso pela primeira vez. No restante do relógio da livraria Puro Verso, a cidade reapareceu em cada saudação dito hola, nos finos detalhes das pesadas portas-balcão, no ar másculo e quente do Mercado del Puerto, no brilho laranja dos pomelos, no lugar comum dos chivitos, nas cúpulas e cúpulas e cúpulas vistas de baixo para cima. Passeo lindo, passeo lindo - era o som da porta do hotel se fechando às nossas costas.
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Na falta de escutar o espanhol, Drexler tem me acompanhado no trânsito em SP.
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No somos más / que una gota de luz,
una estrella fugaz / una chispa, tan sólo,
en la edad del cielo.
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Marcos, Tato, Juliana, gracias por estes dias.
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besos,
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nina
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un camino, una frontera

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(...)
No tengo muchas verdades,
prefiero no dar consejos,
cada cual por su camino,
igual va a aprender de viejo.
(...)
trecho de Frontera / Jorge Drexler
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doses de uvita, patenteada pelo Baar Fun Fun

**cartão postal da cidade

**Carlos Gardel uruguaio em preto e branco no Baar Fun Fun

*vinho Vudu em caixa longa vida!?!

**mercado em Ciudad Vieja

**feira de antiguidades - Plaza Matriz

*parrillada no El Palenque - Mercado del Puerto

*domingo em Pocitos

*bife ancho do El Palenque

** * jogo americano pré chivito

* Avenida 18 de Julho

*mate para nerviosos

* *porque devemos olhar para cima

*praça principal de Montevideo

*carro da barbie uruguaia

*lindo Solís - construído em meados de 1850

* calle Paraguay

* vista da janela do hotel

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(...)

Mira

por la ventanilla,

verás mi rosto alenjándose.

Hay quien dice que el camino

te enseña cosas; yo no lo sé.

(...)

trecho de Alto el Fuego / Jorge Drexler

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25 julho 2010

felipe's anatomy

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- mãe, tá doendo o meu gengibre.
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- Fê, pára de enrolar e come direito esse macarrão!
- É que eu tô enrolando o seu cérebro para você não lembrar que eu preciso tomar banho.
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- você conhece alguém que o corpo já morreu e só o cérebro tá vivo?
- não conheço não, Fê.... você conhece alguém assim?
- a bisavó do Bob Esponja
- ah tá...
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24 julho 2010

penitência

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Tem um sol para cada um aqui.
Foi assim que o caçula definiu o peso daquela manhã.
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23 julho 2010

sobre gases e deus

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quer saber?
hoje tá impossível.
no shopping, no carro, em casa.
será efeito do patê de ervas secas, ou resultado do antibiótico?
a noite já caiu faz tempo e as janelas continuam abertas.
só sei que o negócio tá feio.
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deus tem um botão on-off.
é o cúmulo do egoísmo, mas é assim que funciona.
a gente liga e desliga quando quer.
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19 julho 2010

crença

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tt,
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eu acredito em você
e acredito que algumas vezes o bem vence o mal
e que a gente tem proteção do além
e na solidariedade que acontece numa ligação de telefone
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eu acredito que mesmo que a vida nos traga alguns perrengues, a gente ainda tem muita sorte
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nn
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imagem: Westerhever, Sabine Gerke
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01 julho 2010

o universo se faz

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Estou na casa da minha mãe. Hoje é quinta feira.
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11:43hs
Minha amiga Lú que mora na Alemanha está no Brasil. Não vejo a Lú faz uns 6 anos, quando fui ao casamento dela. A Dri me ligou para almoçarmos juntas, no restaurante da Silvinha, às 13 horas. Isso está agendado há 2 semanas.
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Hoje é o primeiro dia de férias do Fê. Minhas não, só do Felipe. Férias de 1 mês. Um mês inteiro.
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Lembro que na última sessão, minha psicóloga me questionou porque eu não faria uma viagem sozinha. Não é hoje, nem amanhã, seria um dia qualquer nesse ano. Sem geração abaixo, nem acima. Se eu tenho opinião sobre isso? Sozinha? Never.
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Fê foi convidado para um aniversário, das 14 às 18hs, na Casa Verde. O almoço com minhas amigas seria às 13hs. Até eu almoçar, pelo menos 14hs. Até ele chegar na festa, sendo muito otimista, 14:45hs.
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Só algumas crianças foram convidadas, não sei quem vai. Não quero dar gafe pedindo carona para alguém que não foi convidado.
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Tenho reunião no escritório 14:30hs.
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O que eu faço?
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11:49 hs
- O que vocês acham de pedir pro Ciro levar o Fê até a Casa Verde? Ele é de confiança.
- O Fê de táxi sozinho? Por que não pede para a Bá ir junto?
- É que aí tem que pagar a viagem da ida e da volta. Se for o Felipe sozinho, eu só pago a ida.... mas tem que ser com o Ciro.
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11:52 hs
Alô? Ciro? Então, você tá com horário disponível lá pela uma e meia da tarde? É prá Casa Verde. Não dá? Mesmo? Tem que ser você, porque é prá levar o Felipe. Ele vai sozinho. Ligar para quem? Quem? O Norato? Ele pode? Sei, sei quem é... mas é de confiança mesmo? Não sei, Ciro. Vou ver o que eu faço.
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Alô? Norato? O Ciro me passou o seu telefone. Então, eu preciso que você leve o meu filho até a Casa Verde. Ele tem que chegar lá umas 2 horas. O que? Você tá em Alphaville? Não dá tempo de chegar? Você não pode? Sério? Vai pedir para quem? Alguém lá do ponto? Tem que ser de confiança, viu? Olha, fala prá chegar aqui a uma hora. Uma hora, tá?
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Bom, pedi para o táxi vir mais cedo. Assim dá para eu ver a cara do motorista. Se ele realmente é do ponto. Eu chego um pouco atrasada no almoço. Não tem problema. Dependendo, mando a Bá ir junto e paciência. Preciso ver com a mãe do aniversariante se tudo bem do Felipe chegar meia hora antes.
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11:55 hs
Ana? Aqui é a mãe do Felipe. Tudo bem? Tem algum problema se ele chegar um pouco antes? Sabe o que é... ele vai sozinho de táxi. Então, dá prá receber ele aí? Vai avisar a portaria? Tá certo. Obrigada.
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Sei lá, tô insegura. Se fosse o Ciro, tudo bem. Mas não é ele.
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12:04 hs
Por que eu sentei para almoçar aqui na casa da minha mãe? Eu vou almoçar com as minhas amigas!
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Não consigo parar de pensar se isso vai dar certo ou não. Mandar o Felipe de táxi sozinho? Não tem segredo. Vai dar tudo certo. Não sei. É lá na Casa Verde, do outro lado do Playcenter. Não sinto confiança.
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12:08 hs
- Fê, é o seguinte. A mamãe tem um compromisso daqui a pouco e se você esperar eu voltar, prá depois te levar pro aniversário, vai ficar muito tarde. Então, você vai de táxi, tá?
- Tá bom.
- Sozinho.
- Sozinho?? A Bá não pode ir comigo?
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Aborta, aborta, aborta. Eu almoço rapidinho com a Lú e a Dri, volto e levo o Fê prá festa. E cancelo a reunião no escritório.
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12:15 hs
Como assim? Eu ir para Montevidéu? Sozinha? Não vai sair caro? Vou pensar.
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12:17 hs
Dri, sou eu. Vou me atrasar uns 10, 15 minutinhos. Podem ir entrando, ok?
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12:20 hs
Será que o Felipe vai saber pagar o táxi direitinho? Vai ter troco. Será que o taxista vai ser honesto? O Ciro deixaria eu pagar depois, mas não é ele. A Bá não vai junto? É melhor eu mesma levar. Já tinha decidido isso.
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Tô insegura. Vou deixar o meu celular com o Fê, qualquer coisa ele me liga. Ligar pra onde, se o celular vai ficar com ele? Pego o celular da Bá. Pego o número do taxista. A Bá vai com o Fê? Ele chega na metade da festa, mas eu levo. É mais fácil. E a minha reunião?
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12:36 hs
Alô? Pois não? Quer falar com quem? É ela mesma. Sil? Oi Sil! Tudo bem? No aniversário? O Fê foi convidado também. O Kim vai? Ah, é dia do seu rodízio? Se eu posso buscar? Claro que posso! E por acaso será que você pode levar o Fê? É que eu tô com uns horários encavalados e o Fê ia de táxi sozinho. Não sou louca não, o taxista é de confiança. Quer dizer, o de confiança não ia poder. Como você ficou sabendo que o Fê ia sozinho? Falou com a Ana? Não? Foi por acaso? Nossa Sil, você caiu do céu! Ai que alívio! Tá ótimo, passa a hora que der. Obrigada Sil, mesmo!
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12:40 hs
Norato? Olha, não precisa mandar ninguém que eu consegui uma carona. É isso mesmo. Desculpa desmarcar em cima da hora.
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Ana? O Felipe vai com o Kim. Melhor assim, né? Eu também acho. Fico mais tranquila. A Sil ligou e ela vai levar os dois. E eu busco.
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Dri? A Lú já chegou? Eu tô chegando. Não vou me atrasar não.
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13:03 hs
Quanto tempo Lú! Como você tá? Vamos entrar? A Dri tá segurando uma mesa pra gente. Esse restaurante é uma delícia!
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Quando você volta prá Alemanha, Lú? Jaguariúna, Dri? Na casa do seu irmão? Quantos dias? Eu fico por aqui nas férias. Vou para Curitiba só no outro final de semana. Visitar uns amigos.
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E para Montevidéu em agosto. Sozinha, quem sabe.
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13:42 hs
Bá? A Sil já pegou o Felipe? Que bom.
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Ele foi todo feliz?
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Eu também.
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