16 julho 2008

charada na cozinha

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- Mãe, sabe qual é o meu filme favorito?
- Dá uma dica Fê...
- Começa com Z.
- Zorro?
- Errou... começa com Z
- ZZ Top?
- Não mãe... não é esse...
- Zezé d’Carrasco e Puritano?
- Que isso mãe?!?
- Sei lá Fê... eu não sei...
- Zincríveis mãe! É Zincríveis! Ponto prá mim.
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15 julho 2008

susto

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- quem é você?
- o pior dos seus pesadelos
- caralho – então eu sou você?

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imagem: Black and White Images
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saldo positivo

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Pois bem, hoje é dia 15. É o dia que vence todas as minhas contas. Contas que não chegaram por causa da greve dos correios. As de débito automático, nem me preocupei. Sobraram Tim, Net+Virtua e Telefônica. Para cumprir o meu papel de cidadã exemplar, tentei pegar segundas vias on-line dos boletos. Fracasso. Liguei para cada um dos serviços pelo menos 3 vezes.
Pasmem: não consegui sequer pegar o número do código de barras pelo telefone. Longos minutos de espera, sistemas em estado de coma, desculpe senhora, somente o assinante pode solicitar tal informação. Sim, eu entendo, mas o assinante faleceu, hoje vive em outra dimensão e a linha está no processo do inventário. Você poderia me fazer o favor de me ajudar? Eu só quero pagar uma conta sem multa, porra!
Não adianta perder as estribeiras. Já percebi isso. Não consegui pagar conta nenhuma. Nenhuminha.
A greve dos correios está mantendo meu saldo bancário positivo. Não chega conta nenhuma, então não sai din-din nenhum. Beleuza.
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foto: Enfant Avec Singes _Drysdal
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14 julho 2008

clipping

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é isso gente - escrevemos para que outros escrevam - escrevemos para nossos umbigos, escrevemos na frente dos espelhos, na pele de nossos amados, escrevemos para nossos pais e nossos filhos, sob a sombra de abajures, em guardanapos, na palma da mão.

...
e ao longo da vida ou da morte, a gente vai tecendo esse diálogo vivo, escrito ou falado, sonhado ou vivenciado, tanto faz.

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Rio de janeiro, 1960

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Poética (II)
Vinicius de Moraes
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Com as lágrimas do tempo
E a cal do meu dia
Eu fiz cimento
Da minha poesia.
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E na perspectiva
Da vida futura
Ergui em carne viva
Sua arquitetura.
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Não sei bem se é casa
Se é torre ou se é templo:
(Um templo sem Deus.)
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Mas é grande e clara
Pertence ao seu tempo
- Entrai, irmãos meus!
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foto: atelier de cerâmica Suenaga & Jardineiro / Cunha, julho 2008

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11 julho 2008

fê-losofando

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- o gosto da minha água está doendo (= minha garganta dói)
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- meia e sete da noite é tarde ou cedo?
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- eu te amo mais do que ficar na piscina
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- o meu arroto chama azul
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- como chama aquela arma que faz trrrrriiiiiii? Metrilhadora
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- a letra “m” começa com que letra?
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- a tartaruga corre em câmera lenga? E o caramujo?
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- na poncabanda o hepicótamo vem junto com o macaco da floresta (= na propaganda, o hipopótamo acompanha o macaco na floresta)

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foto: felipe em viagem para cunha / julho 2008
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10 julho 2008

Paris, 1957

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Poema para Gilberto Amado
Vinicius de Moraes

O homem que pensa
Tem a fronte imensa
Tem a fronte pensa
Cheia de tormentos.
O homem que pensa
Traz nos pensamentos
Os ventos preclaros
Que vêm das origens.
O homem que pensa
Pensamentos claros
Tem a fronte virgem
De ressentimentos.
Sua fronte pensa
Sua mão escreve
Sua mão prescreve
Os tempos futuros.
Ao homem que pensa
Pensamentos puros
O dia lhe é duro
A noite lhe é leve:
Que o homem que pensa
Só pensa o que deve
Só deve o que pensa.
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Tato, você pode achar piegas, mas este post é em sua homenagem. Grande amigo que pensa.
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conclusão

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na sandice de seus sessenta e tantos anos, ele tinha razão.

desde o dia que ele se foi.

desde o dia em que ele nasceu.
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08 julho 2008

brancos

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... e todas as pinturas, recentes ou antigas, nítidas ou não, desbotam-se a cada tentativa de recordá-las ou de reconstituí-las. Somente algumas breves nuances de brancos não se apagam jamais.
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Ontem eu quis negar aquela beleza. Por onze, talvez doze minutos incompletos e interpretados. Uma dança de movimentos arranjados, que de tão mecanicamente repetidos convergem-se em superfícies de luzes divinas e sons seqüestrantes, absolutos e plenos. E fascinantes. E belos por excelência.
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Um forjado estado de surdez distanciou-me da sedução, da fusão cúmplice do casal de bailarinos naquele ato. A combinação inaudível de quatro mãos que se atraem porque são de um mesmo membro, de um mesmo corpo, de uma única fala – seja a minha pele. Abstraio meus sentidos e recrio os cabelos-pincéis daquele homem que retratava nossa relação em cores vivas. Nas pinturas, e nele, eu via o rubro dos meus pêlos por seus olhos. Seus pingos de suor deixaram-me sinais no rosto. Por muitas e muitas luas, sentia pernas aquecidas a se deslizarem úmidas, trançadas, inseparáveis. Sou sua pele.
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Amputaste meus dedos, não te toco mais.
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Um sussurro na platéia produz faíscas da dança leviana em meus ouvidos. Peço-lhes por favor, mantenham-se mudos e cerrados. Continuo na lembrança dos cheiros ruidosos desfazendo-se entre intervalos de uma respiração ofegante e soluços abatidos. Transpiro êxtase ao absorver aquele único orgasmo após o penúltimo. Pulsante e etéreo. Pulsante e eterno.
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No palco, feito fotografia em movimento, a sincronia do casal exibia a plenitude que ora eu repudiava. Dança, música e silêncio. Silêncio ofuscante para me reavivar nas pinturas de cores gastas. Não carrego mais o verde para retocar seus olhos. Procuro por toda a casa, por dentre as estantes, atrás das cômodas. Outras luas se vão e retoco-os com o pouco que me resta de tinta amarela. Antes que seus preciosos olhos se percam.
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Vejo-me refletida na íris amarelo-opaca, exausta do escárnio desta dança alheia cultuada por tantos outros, mas ainda assim, bela, belissimamente completa. Que a fortaleza desta composição escorra com a chuva que está por vir e estilhace-se em gotículas numa sarjeta qualquer. Água torrente, caia e anavalhe minhas pupilas pois as lágrimas já me faltam. Façam lâminas desta dança maldita, dolorosamente perfeita. Se os olhos não me choram, para que me serve a visão? Chuva, lave as poucas cores ainda nítidas das pinturas do passado. Desfoque minhas memórias, desbote-me a ausência deste homem, dissolva sua saliva no vento sul. Enfim, seque seu gozo, seu gosto, seu perfume, sua voz. Cesse suavemente nossa ária.
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(Somos vulneráveis. As condições inexplicáveis que se auto-explicam somente pelo tempo. Aquelas que se tornam desgastadas e por fim diluídas para convivermos juntas - as mesmas que não são compreendidas porque ainda enxergamos com os olhos de ontem.)
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Encerra-se a dança, restauro minha lucidez com os aplausos. Sim, deixem-me apenas entre os aplausos - os mais vigorosos, os perpétuos. São as matizes da minha arte. Os brancos que não se apagam jamais.
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break

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Faz muito tempo que não posto nada.
Isso pode ser bom - quer dizer que tenho meu tempo tão preenchido que não me sobra brechas para o nana-nina-não.
E pode ser ruim também, porque estou atolada de tarefas, compromissos, preocupações e dores-de-cabeça....
SO-COR-ROOOO!!!!!!!!!!

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