30 maio 2008

peixes e ben10 - parte 1

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É um cruzeiro-do-sul o novo morador de casa. Um vitorioso. Eu tinha dúvidas se esse peixe iria sobreviver depois que saiu da Cobasi. Demorou horas para a gente escolher dentre tantos outros. O primeiro que a gente escolheu, tentou suicídio. Pulou para fora d’água, preferiu a morte seca do que vir para nossa casa. Daí, pegaram o Max. Foi assim que o Felipe batizou esse simpático e corajoso cruzeiro-do-sul, numa singela homenagem ao vovô do Ben10. Para quem não conhece o Ben10, saibam que é o herói do meu filho. Se o Fê pudesse escolher ser alguém neste mundo, ele seria o Ben10, junto com o Homem Aranha.
O Max, nosso recém-peixe, é sem sombra de dúvida, quase um tubarão pela força e braveza. Da saída da loja até o carro, o Fê foi passando o saquinho do peixe e um picolé de uma mão para outra. Pintou o saco de rosa, porque o picolé era de chambinho. Abri a porta de trás, o Fê sentou no banco e deixou o booster desocupado, afinal, ‘o Max é pequeno e pode se machucar, né mãe?’ Será que ele quer que eu passe o cinto de segurança no saco com peixe?
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Pois bem, na primeira curva a menos de 5 km/h, o Max rolou booster abaixo.
- Olha só o que você fez mãe! Esqueceu de colocar o cinto no Max! Vai mais devagar! Cuidado, mãe! Cadê ele?
O Fê se enfiou debaixo do banco para resgatar o peixe rolante.
- Tá tudo bem, filho? O saquinho não rasgou, né?
O Fê nem me deu ouvidos.
- Vem cá peixinho, eu vou deixar você aqui do meu lado.
- Tá tudo bem, Fê? – tentei de novo.
Sem resposta, olhei pelo retrovisor e não vi nada. Encostei o carro, virei para trás e achei a criatura Fê deitada no banco.
- Fê? E o peixe?
- Tá aqui mãe... tô segurando ele... tá nadando.
O Fê segurou o peixe com a cabeça. Usou o saquinho como travesseiro.
O Max, pensei, está nadando ou se estrebuchando?
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Da Cobasi até a nossa casa, é uma reta só. Mas a novidade do peixe tinha que ser mostrada para a tia. A reta então, agora era um desvio até o apartamento da minha irmã. O moço da loja disse que os peixes agüentam até 3 horas quando transportados naqueles saquinhos. Ele só não disse em quais circunstâncias.
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- Olha tia! Olha o meu peixe novo! É o Max. Vai ficar junto com o Kevin no banheiro.
Kevin é o inimigo do Ben10 e o nome de um outro peixe do Felipe. É um beta (aquela espécie solitária e briguenta, feito uns seres humanos), então o ‘ficar junto’ era só força de expressão.
O Fê gosta de dar nome aos peixes. Tem o Diego e a Dora, em homenagem ao Diego e a Dora. Tem o Luís, que não faço a mínima idéia do porquê da escolha do nome. Tem os Comedores-de-cocô, digo, Comedor-de-cocô-1, Comedor-de-cocô-2, Comedor-de-cocô-3 e assim vai. Engraçado é que nunca ele escolhe o nome de um herói. Deve ser porque se o peixe for o herói, quem o Felipe vai ser? Faz sentido, não?
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- Tia, liga a televisão! Vai começar o Ben10!
O anúncio foi dado e lá estava o meu filho na frente da tv, recebendo o espírito do Ben10. Bonito como as crianças incorporam os personagens. Não é representação cênica, é vivência e desejo aflorado mesmo. Em meio a poderes e cambalhotas tortas, o Felipe entrou na estória, desafiou os inimigos, foi quase derrotado, recuperou as energias e saiu distribuindo as glórias. Com coreografia, sonoplastia e tudo mais. E o Max? O vovô Max foi salvo pelo Fê-Ben10. O peixe Max ficou esquecido no sofá da casa da tia.
Eu fazia a contagem regressiva das 3 horas desde que aquele cruzeiro-do-sul tinha saído das águas da Cobasi. Quantos flash-backs da vida dele será que ele viu passar? Esse peixe devia se chamar peixe-gato ao cubo, com 343 vidas. Haja pecado para ser pago. Na outra encarnação, deve ter sido o peixe-bin-laden.
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Considerando que as condições normais de temperatura e pressão estavam a milhas do padrão, eu finalmente resolvi não esperar o episódio do Ben10 acabar. Levei o pequeno Max-socado-catatônico-sem-oxigênio para casa. O Fê ficou no apê da tia. Fiz todo o ritual de soltar um peixe novo no aquário velho e deu dó. Ele afundou, rodopiou, afundou. Parecia que estava se afogando. Ele mal tinha forças. Fez o mesmo movimento que a Terra faz quando gira em torno do seu próprio eixo (ele transladou??). Eu juro que pensei em voltar para a Cobasi e comprar outro por garantia, porque dificilmente o Max passaria daquela noite.
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Estranho é que todos os peixes que o Fê deu um nome estão vivos até hoje. Os anônimos morreram, sem exceção. Acho que quando o Felipe batiza os peixes, ele o faz com pureza, porque aquilo é a verdade para ele e para quem ele oferece um nome. É uma forma de benção, de doar um poder especial, coisa que só os heróis conseguem fazer. Talvez seja isso que faça o Max passear tranqüilamente pelo nosso aquário até hoje.
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Seja como for, eu admiro o Max. Junto com o Fê, ele é um herói.
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ps: nenhum peixe da foto é o Max. E também não é o Kevin, nem a Dora, o Diego, o Luís ou um Comedor-de-cocô. São peixes sem nome, portanto, já morreram.
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peixes e ben10 - parte 2

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Eu sempre me preocupei em oferecer música de qualidade para o Felipe. Quero que ele saiba distinguir uma boa música. Acho que isso faz bem.
Quando eu conheci o João, ganhei tios novos. Deles, eu ganhei o cd da Amy Winehouse. E de quebra, eu vi que o meu esforço não está sendo em vão.
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Eu começo cantarolando:
- They tried to make me go to rehab / But I said....
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E o Felipe continua:
- ...'no, no, no'
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(eu) Yes, I've been black, but when I come back / You'll...
(Fê) Know-know-know
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(eu) I ain't got the time / And if my daddy thinks I'm fine / He's tried to make me go to rehab / But I won't ...
(Fê) go-go-go
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- Uau Fê! Você conhece essa música?
- Essa música é legal mãe!
- É filho, eu também acho! Essa música é bem 10!
- Não é do Ben10 não mãe. Mas é irada.
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Tá, ainda bem que ele não entende a letra. Mas não é o máximo ele gostar da Winehouse??
Filho de peixe, peixinho é.
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28 maio 2008

degradè - um ano e nove meses

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aqui você fez 38 anos
eu ia ao cemitério, mas não fui
eu ia acender um wish, mas não acendi
eu ia cumprir promessas, mas adiei de novo
eu ia levar o Guidonski para o banho, mas não tinha horário
eu ia queimar um incenso, mas fiquei espirrando
eu ia preparar o jantar, mas escolhi um delivery
eu ia ligar para alguém, mas o final do dia chegou antes
eu ia fazer uma prece, mas isso eu já faço todos os dias
eu ia escutar Eddie Vedder, mas tocou Winehouse
eu ia responder um e-mail, mas deu preguiça
eu ia ver o saldo no banco, mas desisti
eu ia cobrir o Fê na cama, mas antes cuidei do joelho ralado
eu ia conferir a agenda de amanhã, mas liguei a tv
eu ia ler Beckett, mas folheei uma revista
eu ia deixar de pensar em você, mas não consegui
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no dia que você fez 38 anos
não deixei de pensar em você e achei isso natural
foi um dia como outro
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coloquei uma orquídea na janela mais iluminada da casa
nessa época de outono, quando o sol é quase inverno
venha ver, é para ti

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20 maio 2008

nove meses


28 de maio de 2007 – segunda feira. O dia que a gente ia comemorar os seus 37 anos, com café na cama, preguiça para acordar e interrupções do nosso pequeno Felipe. À noite, teríamos bolo e barulho. Hoje o dia começou igual pois levei o Felipe para a escola. Continuou diferente porque achei difícil deixá-lo na escola. Para ele também tem algum incômodo. Hoje foi diferente porque em seguida fui para o cemitério. Levar flores, levar lágrimas, saudades, dor no peito, dificuldade de respirar. Priga, queria segurar sua mão de novo, para eu conseguir segurar essa vontade de querer que você volte. Segurar essa tristeza tão amarga que nem meu pai conseguiu segurar. Eu não vi, mas ele chorou no domingo. No sábado, foi o Felipe que chorou de saudades. De tristeza. De dor na alma.
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Hoje eu pedi para a minha irmã dormir em nossa casa. Está muito vazia. O silêncio é alto demais e dá para escutar meu fôlego soluçando. Sinto sua falta e desmarquei uma reunião de trabalho em plena segunda-feira. Eu, tão caxias, tão responsável, tão competente. Fachada de fortaleza que hoje foi implodida. Hoje eu não consegui olhar para o sol por causa das lágrimas. Hoje não reguei as flores em casa. Hoje eu queria levar flores no cemitério. Faz nove meses que eu não vou lá. O tempo de uma gestação. Fui sozinha para não ter pressa em ir embora. Talvez seja só hoje.
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Estacionei o carro longe para poder andar. Comprei crisântemos brancos e vinho. No caminho, a alça da bolsa escorregou e quis acreditar que era você. O celular que estava no bolso da calça desligou e ligou sozinho. Alterou o relógio. De novo, quis acreditar que era você. Sentei na mureta branca. As formigas subiram no meu tênis, mas eu pensava “foda-se”. Senti picadas nas costas. Fiquei sob o sol, procurando um papel para deixar um bilhete. Uma mulher passou, parecia chorar também. “Priga, saudades de ti, meu anjo. Amor, sua Nina”. Na lateral escrevi, “I’m going back to the stars”. Um funcionário de uniforme azul passou e guardou a vassoura dentro de um túmulo. Bizarro. A calça dele estava rasgada no joelho direito. Era um corte horizontal. Coloquei o bilhete no meio das folhas. De longe, não dá para ver. Meus olhos estão ressecados e ardem porque hoje não consigo parar de chorar. Meus olhos estão úmidos e desfocados porque hoje não consigo parar de chorar. Hoje, não consigo parar de chorar.
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Preciso voltar para casa. Esqueci de trazer o livreto que foi distribuído na festa do Felipe. Atravessei um velório onde as pessoas não choravam. Elas vão chorar daqui a nove meses. Na realidade, não esqueci, fiquei na dúvida se realmente deveria ter trazido o livreto. Em casa, havia 3 recados na secretária. Dois anônimos e um da minha cunhada Patrícia. Ela queria saber como eu estava. Hoje eu estou um bagaço. Peguei um livreto com o conto da Clarice (Lispector), coloquei em um plástico menor e fechei com adesivos redondos. Três Pimacos redondos e transparentes. Ficou a marca das minhas digitais. Não faz mal. Voltei para o cemitério. Desta vez deixei o carro bem próximo do portão. O bêbado me disse bom-dia. De óculos escuros, nariz avermelhado, espalhando lágrimas pelo rosto, era evidente que eu chorava. O bêbado repetiu o bom-dia. Sua voz rouca parecia uma estação de rádio AM. Bom-dia era a vinheta gravada e reproduzida ene vezes. Desculpe, hoje eu não consigo responder.
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Alguém esteve lá neste intervalo. Deixou crisântemos brancos e uma rosa vermelha. Queria ter encontrado com essa pessoa. Precisava saber, assim como eu, quem havia deixado flores. Alguém que achou meu bilhete, leu e devolveu no meio das folhas. Entre folhas diferentes das que eu havia deixado – três ou quatro ramalhetes para baixo. Quis acreditar que era você, mesmo sabendo que não seria. Coloquei o livreto na ‘capelinha’ para proteger de um dia de chuva. “Imagino que você já tenha lido, um dia alguém irá jogar no lixo, mas este é seu. Eu precisava trazer”. Para você saber que eu estive lá. Para que todos soubessem que eu estive lá no dia do seu aniversário.
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Na saída, o bêbado se aproximou. Xingava um rapaz e dizia o bom-dia radiofônico para mim. Pedia dinheiro. Desculpe, hoje não consigo parar de chorar. Será que não enxerga isso? Sim, tanto vê que não me xingou. Fez sinal para que eu manobrasse o carro e disse novamente bom-dia. Voltei para casa. Voltei para regar as flores. Para que elas continuem vivas.

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priga, na idade do fê
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postagem dedicada à Fal e Luci
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o mico do mundo moderno

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Essa semana eu renovei o seguro do carro. O valor aumentou 145 pilas porque agora eu sou vi-ú-va! Pode uma coisa dessas? Sabia que as casadas andam mais no banco do passageiro – e quando ficam viúvas, andam mais no do motorista?? Não é fantástico?? Eu me chamo estatística!!! Deu vontade de falar que era lésbica... e que eu era o macho da relação...
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A minha rua é ridiculamente mini-minúscula. Se estacionar a van do delivery do pão-diniz-de-açúcar, sobra um resto de rua que só passa moto. Um dia a prefeitura mudou o nome da rua, porque não tem motivo não mudar o nome de uma rua ridiculamente mini-minúscula. A gente fez um punhado de umas 20 e tantas assinaturas e pediu para des-mudar o nome. Acabou que no começo da rua ela tem um nome e no final da rua, outro. Legal né? Legal é que não chega pizza nenhuma, quando chega tá borrachenta; não chega conta para pagar, quando chega já venceu – aí você paga com multa porque é mais fácil do que explicar toda a ladainha de mudança de nome de rua. A campainha fica rouca de tanto tocar: “você sabe onde fica a rua caracoles?” É aqui mesmo cacete... e bobobó.
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Esse negócio do seguro do carro me tira do sério. O pior é o corretor querendo me vender um seguro de vida-mulher.
- Dona Nina, no caso do seu afastamento por doença, acidente ou mesmo falecimento, seu filho tem direito ao resgate imediato do valor total sem carência e blábláblá.
- Nossa, jura?!?! era tudo o que eu queria! Aí finalmente ele vai conseguir comprar o playstation2 que ele me pede toda hora... e vai ser com o dinheirinho dele!!! que orgulho da mamãe!!!! Um moleque de 5 anos emancipado!!! Como o mundo está evoluído, não? Manda pro meu e-mail que eu assino já!
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19 maio 2008

sabedoria mor

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- mãe, hoje teve cinema na escola.
- é mesmo Fê? que filme passou?
- o bunda de notre bani.
- como?
- o bunda de notre bambi.
- ãah... e você gostou?
- não sei mãe... o monstro não era maldável... as pessoas é que eram maldáveis - mas aí, o monstro ficou bonzinho.
- ficou bonzinho porque os outros maltratavam ele?
- não mãe... primeiro você é maldável e depois fica bonzinho.... mas se quiser, pode ser maldável de novo.
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Id, ego e superego na ótica do Fê. Sabedoria mor.
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fôlego

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Ontem eu respirei. Respirei, respirei, respirei. Muito. Até cansar, até querer parar de respirar, até explodir, até a unha descolar porque tinha muito oxigênio dentro de mim. E vibrava e delírio e dedos rígidos e tristeza e vibrava e moleza e suor e olho fechado e rinite e boca seca e incha e esvazia e explodiu no peito e sonho e diarréia e queria de novo e tremia e tosse e chorava e ria e raiva e vibrava e tambor e magipac e nada se controlava.
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Não foi fácil. Sempre escutei o contrário. Não foi fácil. Fiz força, usei todos os músculos, fiz força, empurrei, prenderam meu cabelo, não dá para chutar, fiz força, retomei o fôlego, fiz força, usei o cotovelo, fiz força, oxigênio, peso, calor, fiz força, me solta, me solta, fiz força, eu sei, eu sei, fiz força, sai, sai, fiz força, força, força. Não foi fácil.
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Ontem eu respirei. Respirei, respirei, respirei. Muito.
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diálogo no balanço

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outono, dia de sol, parque Villa Lobos, balanço no playground

- mãe, eu não posso ver Réri-póter de noite né?
- é melhor não né Fê, senão você sonha mal.
- lembra que eu sonhei com a cobra da Pedra Filosofalsa?
- é... aquela cobra filosofalsa.
- e como é mesmo o nome do herói?
- que herói? o Harry Potter?
- não mãe... aquele carinha - é Herói, o negócio.
- Herói, o negócio?
- é aquele que solta a fumaça no réri-póter.
- fumaça? como um dragão?
- ele joga a fumaça que sai da varinha - que nem você joga insectível no mosquito da dengue.
- insectível?
- é mãe!... você não sabe?
- saber o que? a fumaça ou o insectível?
- mãe!... você não lembra?
- ai Fê... é que eu...
- por que você sempre fala que eu não se lembro das coisas? E desliga aqui mãe - eu quero descer. Desliga logo o balanço que agora eu vou no escorregador. Desliga mãe!

balanço do diálogo: será que é ele que processa tudo muito rápido ou sou eu que ando meio lerda??




Harry Potter and the Sorcerer Stone
http://movies.warnerbros.com/harrypotter
Warner Bros / J.K. Rowling

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15 maio 2008

o avesso do avesso

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podia ser melhor

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5 sabores que poderiam ser melhorados
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1. o yakissoba blargh congelado da sadia
2. a esfiha de queijo carésima do habib's
3. um canudinho tenebroso com umas melecas dentro que coloca no leite para dar ânsia
4. qualquer lanche quente que se coma frio
5. qualquer lanche frio que se coma quente

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